Roger Machado pressionado no Verdão?

O trabalho de Roger Machado no comando técnico do Palmeiras, que ainda é recente, mas, está chegando à marca de trinta jogos, tem trazido mais resultados positivos do que negativos. Porém, há alguns torcedores que colocam sérias desconfianças sobre o trabalho que está sendo desenvolvido.

Houve a perda do título do Campeonato Paulista, mas na Taça Libertadores da América está muito bem posicionado. Com a vitória contra o Junior Barranquilla, o time palmeirense garantiu o posto de melhor classificado no geral da competição, o que lhe garante que todas as decisões de mata-mata sejam feitas aqui no Brasil, em sua arena, inclusive a partida final se o Verdão se mantiver até lá.

Existe uma pequena corrente de torcedores que está dando demonstrações de descontentamento quanto ao trabalho de Roger Machado. Esta contrariedade se fundamenta, dentre outros aspectos, nas derrotas ocorridas frente ao Corinthians, primeiramente na final do Campeonato Paulista de 2018 e na partida válida pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro.

Acredito que o peso maior desta insatisfação deve-se à arquirrivalidade que existe entre as duas torcidas. E não é raro ouvir torcedores corintianos taxarem os palmeirenses de “freguês”, o que caracteriza ofensa para os mais fanáticos por futebol. Fatos semelhantes da insatisfação de um pequeno grupo de torcedores fazem parte história do Palmeiras, tanto que Luiz Felipe Scolari os havia apelidado de “Turma do Amendoim”.

Atualmente, essa insatisfação não parece vir da totalidade dos torcedores, pois aplausos se misturam as vaias no estádio durante os jogos. Como estatisticamente os dois times estão equilibrados em número de vitórias nos clássicos, o que importa é a produtividade da equipe em campo e como se comporta diante das adversidades.

E, até o momento e no geral, o trabalho de Roger Machado está mostrando resultados. O time está conseguindo fazer apresentações seguras, que já mostram o início da implantação do DNA do técnico, com esquema que privilegia a posse de bola e a troca de passes rápidos. Existe ainda a necessidade de ajustes finos neste esquema, o que é até certo ponto é normal devido ao pouco tempo de trabalho.

 

A impressão externa é de que o ambiente no clube é saudável. Pois com um elenco grande e recheado de egos Roger Machado está conseguindo dar oportunidades para a maioria dos jogadores. Inclusive com rodízio de capitães, na tentativa de dividir as responsabilidades entre os jogadores ao mesmo tempo em que lhes proporciona identificar a importância de seu papel na equipe.

Roger está demonstrando ter boa leitura dos jogos, pois faz comentários que coincidem com a maioria das opiniões no meio futebolístico. Também está demonstrando ter voz de comando no grupo, além de lidar muito bem com a questão de manter jogadores de qualidade no banco de reservas. A titularidade na equipe é vista de forma diferente: não é usado o verbo “ser”, mas sim o “estar”. Recentemente Fernando Prass, que não está jogando em todas as partidas, declarou que vê esta situação com naturalidade. Ele não se sente reserva da equipe, ele apenas está como reserva.

O treinador está sabendo aproveitar a possibilidade de estudar o adversário e utilizar as peças mais adequadas, valendo-se das características de cada jogador. Assim, pode também driblar a carga excessiva de jogos disputando vários campeonatos. Este rodízio auxilia para que o desempenho do time não caia por desgaste físico de jogadores.

Fazer a melhor campanha num campeonato tão disputado como a Libertadores, em um grupo com adversários qualificados, acredito que descaracteriza a necessidade de troca de treinador no momento. O importante é que o Palmeiras tem mostrado futebol consistente na maioria dos jogos e se o trabalho continuar desta forma têm boas perspectivas, a exemplo do que acontece no Grêmio atualmente com Renato Gaúcho.